Incerteza no mercado imobiliário é maior ameaça ao crescimento do setor em 2009, diz pesquisa da Ernst & Young

Estudo aponta ainda as flutuações no mercado e o impacto do envelhecimento e ineficácia da infra-estrutura dos países como outros grandes riscos para as empresas do setor imobiliário. A retomada do crescimento global do setor imobiliário ao longo de 2009 será mais lenta, em comparação aos dois últimos anos. Neste percurso de recuperação, o principal obstáculo ao crescimento será a incerteza que ainda paira sobre o mercado imobiliário, além da redução de créditos fiscais. Esta conclusão faz parte de um estudo da Ernst & Young sobre os dez maiores riscos para o setor imobiliário em 2009 no mundo, intitulado ‘The 2009 Ernst & Young business risk report – Real State’.

Segundo o estudo, que ouviu diversos CEOs e analistas do setor imobiliário, diante da maior dificuldade global de acesso ao crédito, as companhias que ainda dispõem de boa reserva financeira deverão utilizá-la com muito mais cautela que nos anos anteriores. Por essa razão, os rumos do mercado imobiliário para o ano de 2009 ainda são incertos. “Apesar dos indicadores, não podemos dizer que o mercado chegou ao fundo do poço, nem mesmo se isso de fato irá acontecer. Assim como é difícil afirmar, de forma assertiva, como a indústria imobiliária se reformulará após esta crise econômica”, explica a sócia da Ernst & Young, Cristiane Amaral.

O estudo também aponta uma grande inversão em relação aos resultados da edição de 2008. Dos 10 principais riscos citados para o mercado imobiliário em 2009, três são novos (incerteza no mercado e redução de créditos fiscais; variação de preços; custo volátil de energia), enquanto outros dois riscos (guerra global por talentos e mudanças demográficas) nem figuravam entre as 10 primeiras posições no ano passado. De acordo com o levantamento, a segunda maior ameaça identificada são as oscilações da economia global e as flutuações do mercado, que ocupava a 7º posição em 2008. A subida no ranking de riscos se justifica, segundo os analistas, pelos recentes impactos causados por choques simultâneos tanto no mercado de real state quanto na economia global. “No entanto, é importante dizer neste cenário de riscos também poderão surgir oportunidades para as companhias, incluindo consolidações ou mesmo surgimentos de novos negócios, produtos e serviços no setor”, diz a sócia da Ernst & Young.

Na terceira colocação aparece o impacto do envelhecimento ou inadequação da infra-estrutura, que ocupava a 6º posição no ano passado. “Será o estágio de desenvolvimento econômico e de infra-estrutura instalada que ditará a necessidade de investimentos de cada país. As disparidades, porém, fazem com que vários mercados necessitem de um investimento substancial em infra-estrutura, algo que pode ser provido por pacotes diferenciados de estímulos econômicos. O próximo ano será decisivo para se ver como o mercado continuará competitivo no setor após a crise.”

O estudo ainda aponta como grandes riscos para o mercado em 2009 a guerra global por novos talentos, ascendendo da 14º para a quarta posição este ano. Mudanças demográficas, antes na 13º colocação, aparecem na 5º posição, seguida pela inabilidade de encontrar e explorar novas e não-tradicionais oportunidades. Entre as novas ameaças para o setor está a incerteza nos preços do mercado, aparecendo na 7º colocação, seguida pela revolução verde, sustentabilidade e mudanças climáticas, em nona posição. “A definição de uma política de gestão de riscos adequada que inclua a criação e manutenção de controles internos, corte de custos e aprimoramento do planejamento fiscal, pode ser muito útil na estratégia de enfrentamento das companhias”, finaliza Cristiane. Os 10 principais riscos do mercado imobiliário em 2009 1º Constante incerteza no mercado e extinção dos créditos 2º Economia global e flutuações no mercado 3º Impacto do envelhecimento e ineficácia da infra-estrutura 4º Guerra global por talento 5º Mudanças demográficas 6º Falta de habilidade para procurar e encontrar alternativas globais não-tradicionais 7º Preços incertos no mercado 8º Revolução verde, sustentabilidade e mudanças climáticas. 9º Vulnerabilidade econômica e riscos no desenvolvimento do mercado 10º Volatilidade nos preços de energia.